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Em contato com a redação do Raia Leve, solicitei um espaço para publicar uma série de artigos que escrevi no segundo semestre de 2025 e que trazem um levantamento do desempenho dos animais corridos no Brasil entre 2022 e 2024 e que vão ajudar aos criadores brasileiros a ter uma régua de medição do desempenho das suas crias. Segue abaixo a primeira parte da série. Espero que o conteúdo seja proveitoso para todos.
Há algum tempo tive contato com um estudo japonês que analisou as variações e tendências das duplicações cruzadas até a quinta geração (inbreeding) nos PSIs da terra do sol nascente. No estudo (publicado em 2024) havia uma referência a um outro estudo dos professores Taveira, Mota e Oliveira (UNESP), onde foram levantados os parâmetros populacionais no puro–sangue brasileiro (Population Parameters in Brazilian Thoroughbred, 2004). Ambas as pesquisas são muito interessantes e me inspiraram a produzir um levantamento próprio, que responderia a outras dúvidas que não foram analisadas nas publicações referidas.
Compilei, através dos dados da ABCPCC, uma amostragem de 3.963 indivíduos que atuaram em pistas brasileiras entre as temporadas de 2022 e 2024. Quais são as principais perguntas que tentei responder? Por exemplo, qual a origem das nossas matrizes? Qual é o parâmetro de desempenho médio na população? Como o criador brasileiro pode se comparar com a média do nosso mercado? Existe realmente alguma diferença de desempenho entre as diversas teorias de reprodução aplicadas no Brasil? Enfim, essa minha pesquisa acabou gerando muitos dados para avaliar.
Compartilhar esses parâmetros deve gerar uma série de colunas, até termos um painel completo e interessante do desempenho em pista do PSI brasileiro.
Stud RDI, o líder dos criadores em desempenho clássico

Stud RDI
Vamos iniciar recuperando o desempenho dos nossos melhores criadores. O melhor criador em desempenho clássico é o Stud RDI, com aproximadamente 15% de vitórias clássicas (Grupo + LR). O Haras Doce Vale se destaca como o melhor produtor de ganhadores de G1 com 5,64% desempenho. A amostragem é composta por 18.247 animais, criados nos haras de melhor desempenho no Brasil, tendo resultado médio de 6,5% de ganhadores clássicos e 1,70% de ganhadores de G1. Os dados que cito são da Horse Sales. Deixo aqui um abraço ao Emílio e ao Amarildo, chefes da empreitada. Atentem–se para esses números, pois são comparativos entre os criadores e vocês verão como, ao longo dos artigos que eles representam sólidas âncoras de desempenho. Um lembrete: na população de 3.963 animais estudados temos apenas corredores, logo, os animais que não conseguiram chegar em pista estão fora do estudo. Quem quiser ter uma noção dos números para os animais registrados basta lembrar que 70% dos animais registrados correm. Dados da ABCPCC. Aí você terá de fazer umas continhas para chegar nas comparações.

Quadro da população clássica
A produção clássica ficou dividida conforme quadro acima. Podemos ver que o desempenho médio esperado é de aproximadamente 2% de ganhadores nas provas mais relevantes (G1). Vejam que temos um desempenho de 9% de clássicos (Grupo + LR) na população geral. Isso confirma uma base que uso quando comparo garanhões que estão no mais alto patamar. Sempre apresentam números bem acima destas médias. Do grupo restante, ou seja, dos 91% não contemplados neste quadro, tivemos ainda 10% de colocados clássicos, 56,5% de ganhadores, e 24,5% de animais que não conseguiram vencer corrida alguma. Metade deste último grupo nem chegou a se colocar. Lembrando aqui que uso o parâmetro de Placed oficial. Colocado é o animal que chegou até a terceira posição, sem vencer a prova.
Para finalizarmos a primeira parte, é interessante sabermos a origem das nossas matrizes e dos nossos garanhões. Aqui não há novidades. 85% da amostragem tem mamães brasileiras e 35% por cento são filhos de garanhões nacionais. Logo, vemos que nossas origens têm padrões invertidos quando olhamos linhas baixas e linhas altas. Essa série é destinada a você criador que NÃO quer ficar patinando no lamaçal da ignorância e afundado nas areias movediças da falta de conhecimento. O teu horizonte de comparação é 2% de produção de G1 e 9% de vitórias clássicas por animais corridos e suas mamães são brasileiras. Posteriormente veremos o comparativo delas com as importadas. Os papais são majoritariamente americanos, assim como boa parte do sangue presente hoje no Brasil. O pico do Everest em desempenho está em 5,6% de ganhador de G1 e 15% de produtos clássicos por animais registrados. Espero que gostem da proposta do estudo e que nas próximas colunas venham mais números, mais análises e mais conhecimento para todos os leitores.