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Floreando, por Milton Lodi 26/04/2012 - 10h15min
Sócios de Clubes
Quem pretende ser sócio de um clube, naturalmente leva em conta a sua localização e as vantagens de que possa usufruir. Quem entra para sócio do C.R.Flamengo ou do São Paulo F.C, por exemplo, não pretende calçar chuteiras, treinar e almejar um dia ser escalado para jogar no Maracanã ou no Morumbi. E assim por diante. A pretensão é usufruir de eventuais restaurantes, piscinas, de quadras de tênis e de futebol de salão, salas com ar refrigerado, cinema festas, enfim, uma área de lazer que nada diretamente tem com a razão principal de ser do clube. Mas por que um clube de futebol tem e mantém áreas atrativas de lazer, com atividades que nada têm a ver com atividade principal que é participar de campeonatos de futebol? Por que assumir outros encargos de administração estranhos à existência do clube? A resposta e simples, os clubes oferecem essas vantagens paralelas com a finalidade da cobrança de taxas mensais, nem sempre cômodas afim de que entre nos cofres do clube dinheiro para complementar e reforçar as necessidades financeiras da atividade principal. Os sócios além de pagarem as suas eventuais despesas, que cobrem o que foi usufruído e/ou consumido têm ainda a taxa mensal, e eles sabem, desde que entraram que estão contribuindo indiretamente para a atividade principal, aquela para a qual o clube foi criado. Da mesma forma um Iate Clube não obriga o sócio a ter uma embarcação, um clube de golfe não exige a prática do esporte, e assim todos os outros clubes de todas as modalidades, mas a taxa mensal é necessária e obrigatória para a finalidade do clube. A existência da chamada parte social, que não obriga os sócios a participarem do objetivo principal da existência do clube, é a captação de recursos para o motivo da criação do clube. Assim, da mesma forma, quem entra para sócio de um clube promotor de corridas de cavalos do Jockey Club Brasileiro por exemplo, se não é um turfista, procura uma boa garagem, estacionamentos, restaurantes, piscinas, salão de leituras, biblioteca, quadras de tênis e de futebol de salão, salões de festas, academia de ginástica, bons ambientes com ar refrigerado, salões de beleza masculino e feminino (cabeleireiros, manicures, pedicures, massagistas), salões de carteado, de bilhar e de sinuca,enfim, uma série de comodidades e vantagens, tudo originariamente promovido com o dinheiro do turfe, da razão de ser da existência do clube, que além de tudo ainda oferece gratuitamente o plástico espetáculo das corridas, que na prática só tem como espectadores os inteligentes. Hoje, e já de algum tempo, o turfe sofre uma concorrência absurda de muitos tipos de jogos, de loterias bancadas pelo próprio estado, e talvez por isso ofereça tantas vantagens aos seus sócios, necessários para a contribuição mensal de recursos financeiros. Afinal das contas, foi com investimentos oriundos dos cavalos que proporcionam rendas para o clube. O JCB proporciona aos seus associados uma variada gama de oportunidades na área do lazer, e isso é de tal ordem que mais de 95% (noventa e cinco por cento) do quadro social é de não turfistas. É um quadro social que pode–se dizer representa a elite financeira do Rio de Janeiro, mas que não tem sensibilidade nem gosto apurado para sentir e usufruir das belezas do turfe carioca. Como todo o quadro social paga a taxa mensal, não há de que reclamar, mas só deplorar do enfoque de alguns que, apesar de sócios de um Jockey Club , não gostam de corridas de cavalos. Vou voltar ao assunto.

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