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Colunista: Jéssica Dannemann

Foi dada a largada, por Jéssica Dannemann
09/02/2012 - 20h02min

Ludopatia

A doce vida fácil dos traficantes eletrônicos da Argentina está subindo no telhado

O Raia Leve divulgou esta semana um projeto de lei encaminhado pelo senado argentino que reduz o horário de funcionamento dos chamados bingos (nome de fachada para o covil dos caça–níqueis), preocupados, que muitos legisladores estão, com o fenômeno que está consumindo a nação Argentina conhecido como: Ludopatia.

Ludopatia, que a nota da redação faz anteceder da palavra Fragelo, é uma doença compulsiva pelo jogo, que, no caso dos caça–níqueis argentinos – que se reproduzem desde Menem, passando por Nestor, que nem coelho, até pela bucólica Patagônia –, é uma espécie de droga eletrônica manipulada com ajuda do poder público (quase sempre através de ingredientes generosos) droga essa capaz de arruinar, em muito pouco tempo, verdadeiras fortunas, obtidas às vezes, durante várias gerações.

O dinheiro não vira pó, ele apenas troca de mãos, troca de banco, troca de país, e esse é o objetivo dos traficantes da eletrônica, que encontram guarida na lei sob a bandeira do entretenimento, mas que na verdade são agentes do vício, Ludopatas por assim dizer, alguns deles que se utilizam das máfias mais ordinárias para transportar o produto da caçada, que muitas vezes acaba financiando as drogas químicas, tão destrutíveis quanto as eletrônicas, e, que, nesse caso, acabam virando pó mesmo. Um pó maldito que tem feito com que o mundo alimente os bandidos que estão por destruir o mundo.

Óbvio que quanto menor a nação, quão menos rica for, mas a Ludopatia se alastra, veja que os traficantes eletrônicos preferem os países de terceiro mundo, mais fáceis de “trabalhar” nas capitais (como escreveria um dirigente famoso de turfe) e de realizar esse objetivo torpe de se apropriar do dinheiro dos otários.

Eu gostaria muito de entender o que passa na cabeça de uma pessoa que esteja lutando para o Jockey Club Brasileiro obter uma licença de exploração desses caça–níqueis, para então entregá–la – bem como o negócio todo –, na mão de terceiros para ser explorado (!?)

Se você abre o mundo da Internet, vai encontrar dezenas de empresas fabricantes de caça–níqueis oferecendo seus produtos (com garantia, instalação e manutenção) para que você mesmo, a instituição adquirente, administre o jogo. No comando, vários níveis de dificuldade, ou seja, você possui acesso à torneira de devolução das moedas. Pode até ser, no caso do JCB, de 99% o percentual de retorno para o apostador, coisa que um “operador/atravessador” jamais praticaria.

Conforme publicado no “Diário Hoy”, em 09 de fevereiro do corrente (leiam os que se interessarem: http://www.diariohoy.net/accion–verNota–id–10704–titulo–Codere_se_va_de_La_Plata), numa tentativa de tentar conter o impacto social do jogo na população, uma vez que milhares de famílias foram destruídas pelos agentes da Ludopatia desde 1990, a cidade de La Plata acaba de banir de lá uma empresa muito conhecida dos cariocas.

Temo que esse seja o início do fim dos traficantes eletrônicos pelas terras de Gardel, e, antevejo, se estiver certa, dias difíceis para o turfe argentino, totalmente refém da “migalha” destinada a ele pelos exploradores, um turfe que tem acompanhado o seu MGA virar pó, e, nesse caso, é pó de demolição mesmo! O pó preferido de um certo dirigente de turfe.

No entanto, com a tradição, grandiosidade e cultura do turfe argentino, caso os caça–níqueis de Palermo caiam mesmo do telhado, de onde parecem estar (a proliferação atingiu índices alarmantes), penso que o esporte vai dar a volta por cima rapidamente, renascendo em bases sólidas, livre da concorrência desleal que corre solta nas esquinas, portos e vielas de Buenos Aires.

Pelo menos disso a gente mão pode se queixar aqui no Rio de Janeiro. Aqui não tem jogo na esquina, na viela e muito menos no porto; aqui só tem um hipódromo pra jogar que fica no coração da zona sul, cercado por seis bairros nobres, com amplo estacionamento, dotado de todos elementos possíveis, seja de ordem legal ou logística. Quanto à dita cuja que suga o nosso MGA dentro da nossa própria casa, é só fazer como a municipalidade de La Plata fez com ela:

Adios muhachos, hasta la vista baby!



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