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Colunista: Mário Rozano

De Turfe um pouco..., por Mário Rozano
15/10/2011 - 20h34min

JÓQUEIS DA GRÖBRETANHA AMEAÇAM GREVE POR NOVAS REGRAS NO USO DO CHICOTE

Os protestos contra o uso desmedido do chicote nas corridas de cavalos nos últimos anos vem se tornando matéria de constante discussão e debates, nos principais centros turfísticos do mundo, entre associações de profissionais e organizações de proteção aos animais que pressionam os dirigentes dos clubes que promovem corridas. Em 2009 na Austrália, a Autoridade de Corridas de Cavalo, alterou a regra, limitando o uso do chicote em 18 vezes durante a carreira. A medida desgostou os profissionais e provocou greve em três hipódromos na ocasião: Hawkesbury, Ballart e Ipswich.
 
Agora, na Grã–Bretanha ocorre a mesma situação com a aplicação de medida similar, restringindo ainda mais o uso da tala. Não apenas no turfe estão ocorrendo mudanças nas regras de eventos onde existe a relação do homem com o animal, como nas touradas da Catalunha, recentemente proibidas ou no uso do chicote por domadores em circos no Peru.
 
Evidente que devem ser adotadas medidas que coíbam o uso exagerado da tala nas corridas de cavalo, ou até sua exclusão das competições  ser chegarmos a tanto, mas devem começar por punições severas ou até mesmo eliminação do esporte para os jóqueis que costumam provocar lesões e martírio nos animais sem qualquer critério, do que o de tentar através do castigo ao animal vencer uma carreira. O que não pode e não deve ocorrer é a radicalização das autoridades, como parece que está acontecendo na Grã–Bretanha.
 
Uma cultura que alcança alguns séculos, não se modifica com imposição de regras de última hora. Este assunto é controverso pela natureza do esporte e ganha cada vez mais espaço nos principais periódicos e meios de comunicação – a BBC inglesa nesta semana dedicou amplo espaço no seu noticiário – e principalmente entre os dirigentes do turfe mundial.
 
A revista argentina TAG – Todo A Ganador, publica matéria assinada pelo jornalista Sebastián Heredia, especialista em turfe internacional, abordando com mais detalhes a situação das medidas adotadas na Grã–Bretanha:
 
A regulação do uso do chicote na Grã Bretanha não só trouxe suspensões a granel a menos de uma semana da nova regulamentação, mas também um enfrentamento entre os jóqueis e a Autoridade Britânica de Cavalos de Corrida (BHA), onde está incluído o jóquei Richard Hughes, um dos melhores profissionais do meio, que colocou sua licença para montar à disposição. Enquanto se prepara uma greve para a próxima segunda–feira, o organismo máximo declarou que “não vai voltar atrás em nenhum ponto”.
 
O turfe europeu mudou. Na segunda–feira (10/10) foi introduzida nos hipódromos uma nova regulação: os jóqueis somente poderão usar o chicote em sete ocasiões e, unicamente em cinco durante os 200 metros finais. Com era previsto, a esta medida, muitas vozes se colocaram a favor e outras tantas contra, exatamente igual quando ocorrem modificações no esporte. Não obstante, apenas nos dois dias de posta em prática, a maioria das vozes se mostrou contrária.
 
Quando do início das novas regras, o caso mais emblemático nesta conjuntura foi com o jóquei irlandês Richard Hughes – liderou a estatística no ano passado e muitas vezes esteve à frente durante este ano. Hughes foi suspenso por cinco reuniões no dia que começou a vigorar a nova regulação. Apesar de estar desgostoso com a medida, o piloto local aceitou a suspensão, mas não sem deixar sua opinião: “Já perdi a noção para correr um cavalo de corrida. Agora tenho que contar quantas vezes uso o chicote em lugar de me concentrar. Não sei até quando vou suportar este atropelo”, disse descontente.
 
Há poucos dias, mais exatamente na última quinta–feira, Hughes foi suspenso novamente. “Eu creio na flexibilidade das regras. Nos últimos 150 metros, meu cavalo ganhava com sobras, mas de repente percebi que ele sofreu uma queda no seu rendimento. Até aquele momento não tinha acertado nenhuma chicotada, mas com o temor pelos concorrentes não contei que havia superado os cinco como determina a regra. Isto é como pedir ao Messi que não use a perna esquerda para arrematar no gol porque antes não a usou para fazer a jogada”, concluiu o jóquei após receber a notificação pela sua falta com Real Golg, no segundo páreo do Hipódromo de Kempton.
 
Por ser reincidente, Hughes já acumula 15 reuniões de suspensão e vai perder a Breeders’Cup, onde estava comprometido para montar Strong Suite, no Mile (G1). Recém acabei de falar com a BHA e vou colocar a minha licença à disposição. As mudanças devem ser progressivas e com algum critério que cuide também do nosso trabalho. Nada impede que a regra seja implantada, só se pede que revejam alguns pontos”, expressou desapontado.
 
O total de jóqueis suspensos no momento chega a uma dúzia, no entanto, esta cifra pode ser superada já que alguns vídeos ainda estão em análise. “Todos vamos ser suspensos em algum momento: é uma situação que não tem como voltar atrás. E pelo costume, vamos incorrer nos mesmo erros”, enfatizou o jóquei Frankie Dettori que foi consultado sobre a nova regulamentação. O astro italiano, que desde o primeiro momento foi um dos primeiros e mais contundente opositor da regulação, comunicou–se com vários de seus pares, inclusive com Wiliam Buick, a última das estrelas que foi “vítima desta situação”, como ele mesmo definiu.
 
Baseado na decisão de Hughes, a BHA lançou um comunicado onde enumera uma série de encontros com a Associação dos Jockeys Profissionais (PJA), inclusive dando detalhes de alguns passos que vão tomar, mas também esclarece que “de nenhuma maneira voltará atrás em qualquer ponto”. Estamos dispostos ao diálogo, mas também somos claros e firmes. As medidas podem ser consultadas, entretanto, nada mudará enquanto o espírito da regulamentação, que é justamente defender os cavalos de um castigo desmedido. As suspensões não vão cessar apesar das medidas de força ou qualquer outras que possam fazer os jóqueis, nem sequer serão perdoados por terem anteriormente bons antecedentes”, argumentou Paul Roy, Presidente da BHA.
 
Na segunda–feira está sendo preparada uma greve por parte dos jóqueis. “Grande parte dos casos que ocorreram nestes dias são questões de critério. Está cientificamente provado que um cavalo não acusa dor pelo uso da tala como reza a nova regulamentação”.
 
“Todos somos a favor de um turfe mais natural, ainda que sobre padrões que não prejudiquem as competições. Estamos muito preocupados, é a hora de chamarmos a atenção de quem comanda os destinos do esporte”, adiantou Kevin Darley, manager da PJA sobre a parada. Assim, na Grã Bretanha vai se viver a primeira parada nas corridas desde 2003, quando ocorreu um fato similar em Sandown, quando foi proibido aos profissionais o uso de celulares nos hipódromos.


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